segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

"cinema mudo"

jovem tarde de domingo:
-"metrópolis" - preto e branco, mudo, de 26, alemão de fritz lang.
-"o baile" - mudo(1)no sentido de não falado, cor, de 83, franco-italiano de ettore
scola.

como dormi com cêrca de 15 minutos do primeiro, não tenho autoridade prá falar e sei que
dele só se fala de bem, visto que consta da maioria das listas dos críticos. me interessei
e acho que devemos locar para uma seção conjunta in vinno. ouso apenas dizer: lang
era mais pragmático e realista que marx, em seu futuro(século XXum)a elite habita o solo e a classe operária o subsolo. os letreiros são em alemão e as legendas em portuga.

o segundo é um baile, é coisa de cinema, se passa todo(duas horinhas) num salão de baile, onde os personagens(cêrca de uns 30?) não falam uma única palavra durante os
longos anos de 36 a 83, apenas dançam. e como! dançar - além de gostoso - é uma atividade extremamente sensual e exibicionista. o pé de valsa(e a sua cara-metade,
aquela que de tão leve, muitas das vêzes o leva, flutuando, levitando) é um exibido,
por vêzes arrogante. as damas chegam e buscam logo quem? ele, o espelho, enorme do
piso ao teto,uma das paredes do ambiente, retocar a maquiagem, ajeitar o casaco de
vison, conferir a estampa. os homens, idem, mesmo caminho. tipos esquisitíssimos.
é um barato, há cenas inesquecíveis e cômicas. uma em que o burguês endinheirado,
solitário em sua mesa ao lado de sua champagne, de monóculo, vê sua amada(ou não),
espôsa(ou não), sua mulé, sua dama, toda de branco, ser literalmente esbodegada pelo
malandro, o tampa, que ao chegar, convida-a para dançar pondo um lenço enorme aos
seus pés; saca de seu smoking preto impecável o pó, faz duas carreiras generosas,
saca uma cédula da moeda da época, parte-a ao meio, faz um perfeito canudinho e ao
aproximá-lo do que seria seu bálsamo, vem o garçon de bigodinho e "passa-o-pano"
fazendo a assepsia. puta-qui-pariu.
é filme prá loucos por cinema, mas quem gosta de dança ou de música, ou dos treis juntos fica mais fácil. há todo tipo de música, clássica, polka, muita canção
francesa e duas brasileiras: "madureira chorou" que a orquestra executa como rumba
e "aquarela do brasil". estão lá também no pós-guerra a música das big-bands ameri-
canas, o chaleton, depois o rock e the beatles com "michelle".
quem achar monótomo ou arrastado, si-fodi-cumigo.

chico.

(1)no ano de seu lançamento foi escolhido pela academia para concorrer ao oscar de
melhor filme em língua estrangeira(lembou o janot na resenha de abertura). como, se o filme não é falado, não há um único diálogo??! mais uma cagada de hollywood, que
deveria tê-lo escolhido para a categoria de melhor filme e premiado. não é fácil
fazer o que o ettore fez.
sim... nos letreiros, vai, vai, produtor e no final na hora de diretor, vem: "
mise-en-scène: ettore scola. é mole, ou "qué" mais?

Nenhum comentário: